quinta-feira, 25 de maio de 2017

O massacre desinformativo continua:

Quando já poderíamos supor os portugueses suficientemente vacinados sobre o tipo de estratégia desinformativa que, quase os fez acreditar na bondade da continuação da coligação PSD/CDS à frente do país após as eleições de outubro de 2015, eis que ela retomou o seu fulgor a propósito dos méritos a atribuir a quem conseguiu retirar o país do Procedimento por Défice Excessivo. Terá sucesso? Será repudiada como exemplo lapidar de fake news? Veremos nos próximos dias!
Tendo como ponto de partida  Marcelo Rebelo de Sousa, e logo a rápida subscrição dos partidos das direitas,  essa mistificação prossegue ativamente com sucessivos textos na imprensa escrita e nos comentários televisivos. Veja-se a longa efabulação com que Manuel Carvalho hoje a desenvolve numa página inteira do «Público», como se a recuperação não tenha começado com a declaração de inconstitucionalidade dos cortes promovidos pelo governo anterior e a necessidade por este sentida, por descarado calculismo eleitoral,  de refrear durante uns meses a sua dinâmica austeritária.
Alguém duvida que, se tivesse conseguido suficiente apoio parlamentar para o governo empossado por Cavaco Silva em 30 de outubro de 2015, os reformados teriam reavido o valor justo das suas pensões, entretanto sujeitas a cortes inadmissíveis? Alguma vez os funcionários públicos teriam recuperado os seus salários? Teria a TAP continuado em mãos nacionais? E as empresas de transporte (Carris, Metro, etc.) já não estariam “concessionadas” a tubarões estrangeiros? E quem é que poria Maria Luís Albuquerque a pagar os buracos nos bancos, que tinha andado a esconder debaixo do tapete? Não estaríamos já “resignados” à imprescindibilidade de passarmos a Caixa Geral dos Depósitos para interesses privados?
NÃO ! Manifestamente NÃO! Os louros deste sucesso só devem ser atribuídos ao Governo, que mostrou haver alternativa mais competente e eficiente ao austericídio promovido pelas direitas e ao povo português, que sofreu as diatribes conhecidas. Mas, ainda assim, teremos de responsabilizar este último por se ter entregue ao masoquismo coletivo e quase ter aceite, que o martírio continuasse.
Quanto  à conhecida reação do sr. Schauble relativamente a Mário Centeno, que o terá elogiado como um Cristiano Ronaldo das Finanças, só podemos desconfiar de tanta «bondade».
Sabemo-lo corresponsável pelas imposições além da troika que as equipas lideradas por Passos Coelho subservientemente acataram. O seu cinismo até poderá iludir uns quantos incautos, e se isso significar juros mais baixos na dívida portuguesa e a revisão em alta do rating da República, só podemos agradecer. Mas adivinhamos que Schauble tenha cruzado os dedos debaixo da mesa, quando proferiu tal enormidade, porque vendo-se ideologicamente derrotado, decerto já estará a pensar no desagravo. O personagem tem revelado ao longo destes anos mais recentes um comportamento, que nos leva a desejar que acompanhe o sr Dijsselbloom - e já agora ambos levem pelo braço o sr. Valdis Dombrovskis - para a reforma. Para muito longe dos centros de decisão europeus para nos não voltarem a atazanar o juízo.
Do blogue (Ventos Semeados)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O Ronaldo do Ecofin:


Os Cenários Macroeconómicos “desenhado” por um grupo de economistas liderados por Mário Centeno já foram quase esquecidos, na ocasião a direita dividiu-se entre a gargalhada e a mobilização de economistas apoiantes da tese do empobrecimento forçado. O desplante chegou ao ponto de a direita propor que as propostas económicas apresentadas pelo PS fossem previamente avaliadas pelo Conselho de Finanças Públicas, para o que prontamente Teodora Cardoso se ofereceu.

Os cenários Macroeconómicos previam 3,1% de crescimento para 2017, número que serviu para promover gargalhadas à direita. A primeira ida de Mário Centeno ao parlamento não foi notícia pelas suas propostas ou ideias, mas sim porque segundo a comunicação social noticiou Passos Coelho riu até chorar. Sem experiência de calhandrice parlamentar e com o seu ar desajeitado Mário Centeno parecia presa fácil para o cinismo de políticos com calos no cu.

Mas Centeno lá foi sobrevivendo e quando a direita se começou a aperceber dos resultados em catadupa perdeu a vontade de rir, a partir de então a estratégia era destruir a sua política, aproveitando-se de uma divergência entre o PS e os seus parceiros no parlamento, a direita votou de forma suja na questão da TSU. A estratégia era agora boicotar as propostas de Centeno, percebia-se que resultavam e era imperioso que tal não sucedesse.

A estratégia falhou e o objetivo passou a ser o derrube de Mário Centeno, custasse o que custasse. Um obscuro gestor de bancos proporcionou a oportunidade, amigo de um conhecido especialista de corredores e de porteiro de passagens entre o poder e a finanças, proporcionou a oportunidade, durante semanas desenrolou-se o folhetim miserável das mensagens de SMS. Mais uma vez Passos Coelho teve o azar do diabo.

Mário Centeno não só está de pedra e cal como em pouco mais de um ano provou que quem se opunha à reformatação económica do país iniciada por Passos Coelho tinham razão. Ainda ontem a agência de Notação Fitch teceu elogios às mudanças de orientação política, apontando-as como uma das causas do crescimento da economia. Mário Centeno não só provou que era possível seguir outro caminho, como já conseguiu negociar dois orçamentos com o PCP e o BE, já ninguém acredita que o governo caia antes do fim da legislatura.

É a newsletter “Político” que divulga que o ministro das Finanças Alemão disse em privado que Mário Centeno é o Ronaldo do Ecofin acrescenta:

“Há doze meses, era tudo tão diferente. Portugal estava à beira das sanções económicas da União Europeia e o sucesso do seu novo Governo de coligação de esquerda estava longe de ser assegurado. Hoje, já não viola as regras orçamentais da UE e espera entregar antecipadamente 10 mil milhões de euros ao FMI”

Por cá há quem diga que tudo se deve a vários treinadores, argumento muito usado quando os presidentes dos clubes querem chamar a si os louros pelo bons resultados de uma equipa.

Do blogue (Jumento)

Vem aí o fim do mundo!



Depois de ter criticado de forma vil e soez o governo de António Costa, acusando-o de estar a desbaratar o bom trabalho feito pelo governo Passos/Portas;
Depois de ter garantido que Portugal não escaparia a um novo resgate;
Depois de ter mandado o holandês presidente do Eurogrupo afirmar numa entrevista a um jornal alemão que os portugueses são uns malandros que gastam o dinheiro todo em p.... e vinho.
Depois de tudo isto, o ignominioso fascista  Schaueble,  ministro das finanças do país dos "milagres económicos" foi ao ECOFIN e comparou Mário Centeno a Cristiano Ronaldo
Ver  um alemão arrogante e fascista dar o braço a torcer e admitir que um reles tuga afinal tinha razão, é caso para temer que venha aí o fim do mundo. Tivesse esta comparação  sido feita no dia 13 de Maio e toda a gente teria falado em milagre. Proferida hoje, o significado é diferente e tem dois destinatários. A nível interno é uma mensagem aos eleitores alemães. 
" Não vale a pena bater mais no governo português, porque os tipos são teimosos, têm fibra e, o pior de tudo é que tinham razão. Afinal havia mesmo alternativa. Será que o Centeno descobriu a fórmula da poção mágica dos irredutíveis gauleses e a aplicou às finanças?"
A nível externo foi um recado a Passos Coelho e Marilú:
" Lamento, mas não contem mais com o meu colinho. Perante as evidências, a única coisa que vos posso dizer é que mudem de táctica e reconheçam que o Centeno é um grande ministro das finanças".

Do blogue (Crónicas do Rochedo)

Avaliar a política económica de Passos Coelho:

terça-feira, maio 23, 2017


PS cometeu o erro de nunca ter promovido a avaliação da política económica de Passos Coelho e Vítor Gaspar, apadrinhada pelo defunto António Borges, tendo permitido que nos momentos de falhanço a direita se escondesse atrás do memorando com a Troika. A Política económica de Passos Coelho foi muito além do previsto no memorando, Portugal foi um banco de testes para experiências de política económica.

Essa ausência de avaliação permite a Marcelo Rebelo de Sousa branquear muito do que se passou, passando a mensagem falsa de que há uma complementaridade ou continuidade no domínio da política económica. Para Marcelo tenta passar a ideia de que a política económica e a medicina são coisas parecidas, isto é, a economia portuguesa está doente e não há grande diferença entre Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Mário Centeno, como se fosse médicos que aplicam ao doente a receita adequada a cada fase do tratamento.

Marcelo está tentando enganar o país, como se essa mentira fosse benigna por ser em nome do bem da Nação, do crescimento e do emprego. Se a abordagem da Política Económica por parte de Marcelo é muito honesta, esta forma de ver a democracia, em que chama a si o papel de eliminar diferenças é muito duvidosa. A democracia é feita de confrontos e nada justifica que Marcelo sempre tenha assumido os confrontos políticos, desde António Guterres, um dos seus melhores amigos, a Passos Coelho, seu sucessor na liderança do PSD. Agora que é Presidente Marcelo tenta fazer passar a ideia de que a democracia é paz e amor de mistura com muitas selfies.

A democracia é confronto de ideias e de projetos e é posr isso que Passos caiu e Costa adota políticas contrárias e antagónicas com as do seu sucessor. Como é possível que alguém tente dar a entender que não há diferenças no mérito de políicas diferentes, quando um dos trabalhos deste governo foi corrigir as asneiras e busos do governo anterior.

Se, como Marcelo parece defender, as políticas não devem ser avaliadas e não passam de políticas idênticas e sem qualquer conflitualidade, para que servem as eleições e o debate político? Mas, ao mesmo tempo que Marcelo defende que o debate deve ser feito em águas mornas, chama a si o papel de meter o primeiro-ministro e o líder da oposição na linha. Umas vezes dá uma porradinha nu, outras dá a porradinha no outro. Umas vezes passa a ideia de que um é muito otimista, nas outras deixa que os jornais sugiram que Marcelo está a ajudar a derrubar o outro.

Aos poucos o debate político está entrando num pântano onde só Marcelo consegue andar. É preciso contrariar esta estratégia de Marcelo e começar por lançar o debate em torno das políticas económicas. Já dados mais do que suficientes para que se avalie da política económica conduzida durante o governo de Passos Coelho.


Do blogue (Jumento)

O CRESCIMENTO do PEDRO:

passos_paroles
Do Pedro, sim, mas do outro que não o meu Neto. É que o meu Neto é Vassalo e o de quem vou falar é Coelho!
Como sabem, eu já há uns quinze dias que, por motivos de ordem superior, ando literalmente afastado das notícias e do mundo e só agora, devagarinho, vou retomando a sequência de vida que se aproxime da realidade. E vou-me actualizando e lendo, por alto, o que de mais relevante tem acontecido na nosso País. Mas não tanto do mundo! É isso: uma coisa de cada vez!
E, mesmo estando actualmente em Barcelona, soube coisas várias: que o PIB Português deu, com este governo, um estimulante salto; que o nosso défice continua em trajectória descendente; que o nosso saldo primário está entre os melhores da Europa; que a confiança dos cidadãos e empresários continua em alta; que o desemprego continua a sua trajectória descendente e a concomitante criação de emprego em subida; que o nosso Centeno é cada vez mais respeitado na Europa e que, finalmente, vamos sair do procedimento por défice excessivo!
Não é coisa pouca, mas o Pedro, não o meu neto mas o outro, que tanto desejou a vinda do Diabo, vê-se agora constrangido a apelar a conselhos impuros e decadentes para que o tal “crescimento” seja sustentável e, quiçá, maior que o naturalmente atingível…
E sugere ao Costa que tome ” coisas”. Aquelas ” coisas” que alguns tomam para ter mais ” vitalidade”, mais ” virilidade”, mais ” potência”, mais ” pujança”, mais ” desempenho” e coisas assim e a que ele, assim como não quer dizer o que quer dizer, chama de ” reformas”! Ou ainda, e isto não passa de uma não sei se plausível hipótese, recorrer, para crescer, a um daqueles tratamentos que aparecem nalguns jornais, na internet e em sites que ninguém vê, que resolvem de imediato o problema da dimensão da coisa, e do seu precário crescimento…
Vocês até se podem rir e achar isto demasiado estúpido mas, pensando bem, depois da “TINA”, que restará ao Pedro?
O que fica é que, afinal, o Pedro diz que, apesar do ” there is no alternative”, ao ” sadismo” que ele praticou, e ” coisas” que experimentou e tomou, só com “reformas” estruturais é que vamos,  diz ele, lá!
Mas Pedro, cuidado! Essas coisas criam habituação e, qualquer dia, nem o coração aguenta. Eu conheço muitos casos e daí o meu aviso. E Pedro, repare: eu tenho a dimensão que tenho, sou até para o baixo, normalíssimo da silva, gostaria de ter crescido mais um pouco, em todos os aspectos, mas…para quê Pedro? Sempre cumpri os meus deveres  de cidadão na sua plenitude e, de reformas, só preciso da que tenho, e que, ao fim de 43 anos de trabalho e descontos, acho que mereço.
E mais Pedro: eu quando era jovem também li os livros proibidos do Marquês de Sade. E vi os ” 120 dias de Sodoma” do PASOLINI. E abjurei e esqueci. E conheço a história, Pedro!
Com que então os heróis são os Portugueses, não é? Sabe-me dizer, Pedro, qual foi ao longo da História o General, o Almirante, o Marechal, o Rei, o Governador que morreu em guerra? Ficou o D. Sebastião porque se perdeu no nevoeiro. E o Vasco da Gama? E o D. Henrique? É o Fernão de Magalhães ( ouvi dizer que partiram cinco naus com quase trezentos tripulantes  e só chegaram dezoito. O Fernão incluído! ) Eles têm todos estátuas e nomes de ruas e os Portugueses, os tais para quem o Pedro dirige o mérito?
E fala o Pedro de ” reformas” que façam diferença no futuro?  As suas Pedro? Dispensamos, definitivamente dispensamos e eu, como Português, que sofreu também, embora muito menos que outros, os mais frágeis, os mais marginalizados, os mais pobres, digo-lhe, e digo-lhe também em nome de todos estes, que dispenso o seu elogio.
Dispenso os parabéns de quem nos impôs sádicamente os sacrifícios que impôs e que tanto “gozo” deram à sua deturpada mente.
Vá, emigre, vá para longe, desapareça e vá ensinar as suas ” reformas” a outros…olhe: aos alemães, aos húngaros, aos austríacos, aos eslovacos, aos polacos, ao Trump, à May, ao Schauble, ao Rajoy, ao …. Isso mesmo.
E, já agora, cresça Pedro, cresça e cresça bem, mas desapareça. E leve consigo a Madona! Aquilo é que iria ser, Pedro!
(Joaquim Vassalo Abreu, 24/05/2017)
Do blogue (Estátua de Sal)

terça-feira, 23 de maio de 2017

A mentira que Marcelo alimenta:

Quem me lê sabe bem o quanto antipatizo com o atual inquilino do Palácio de Belém. Não tanto quanto execrei o antecessor, mas ninguém espere ver-me alguma vez juntar ao coro dos seus aduladores. Daí que passe ao lado do personagem, sempre que possível, só a ele voltando quando as suas asneiras me tiram do sério. Como sucedeu esta manhã, tão só procurei nos noticiários as reações dos suspeitos do costume à notícia da posição da Comissão Europeia a respeito da saída de Portugal da lista negra dos países sujeitos a constrangimentos por apresentarem défices excessivos.
Que Passos Coelho apareça a exigir que o governo não atue de acordo com calculismos eleitorais já nem escandaliza. A desvergonha de quem andou todo o ano de 2015 a empurrar para debaixo do tapete todas as situações comprometedoras no sistema bancário para chegar às eleições com indicadores manipulados, mas tão bons quanto o possível, já não espanta. Homem sem qualidades, Passos vai confirmando a sua condição de quem tem quase todos os defeitos.
Que José Gomes Ferreira quase tenha de morder a língua para dizer bem deste sucesso, mesmo deixando implícitas as críticas do costume quanto à falta de «reformas estruturais» - que na sua enviesada mente só quer dizer cortes e mais cortes a reformados e funcionários públicos - já se desconta por conta de um tonto, que chegou a publicar um programa de governo na mira de cavalgar alguma onda populista, e se vai conformando com o papel de entertainer num regular programa de anedotas às quartas-feiras à noite.
Que Bernardo Ferrão mantenha aquele esforço de parecer mais papista que o Papa na esperança de vir a colher do patrão as prebendas por agora usufruídas por Ricardo Costa, também está na linha do que já dele sabemos: é o típico arrivista capaz de tudo fazer por um lugarzinho na ribalta.
A quem não posso desculpar é a Marcelo por ter inteligência suficiente para saber o que está efetivamente a fazer e cujos parabéns a Passos Coelho pela decisão de Bruxelas soa a indignidade, que os portugueses não merecem.
Porque, na realidade, que fez o antigo primeiro-ministro  para merecer a distinção? Que sentido faz secundar-lhe o argumento segundo o qual os êxitos deste governo, dele são, enquanto o que eventualmente corresse mal, só a António Costa seriam devidos?
Julgará Marcelo que os portugueses são lorpas e não associam este êxito ao governo socialista e à maioria parlamentar que o apoia? Então, porque insiste em considerar Passos Coelho corresponsável pelo que tem sido obra exclusiva de quem mudou o paradigma da governabilidade em novembro de 2015?
Se Marcelo quer dar aos parabéns a quem os merece antes dessa data, atribua-os ao Tribunal Constitucional cujas decisões impediram o governo anterior de implementar medidas de austeridade ainda mais gravosas. A relativa viragem da curva negativa do rendimento médio dos portugueses no final do governo de Passos Coelho explica-se pela conjugação de dois fatores: o tal calculismo eleitoral que ele diz existir nas esquerdas, mas só faz sentido em quem por si julga os demais, e por esse travão aos cortes das pensões, que logo possibilitou um pálido recobro no então moribundo consumo interno.
Ao atribuir méritos a quem os não merece, Marcelo vai comprovando o que dele sabemos: tão só as circunstâncias lho permitam e ele revelará o carácter faccioso, que lhe vai na alma.
Do blogue (Ventos Semeados)

Avaliar a política económica de Passos Coelho:

selfies
O PS cometeu o erro de nunca ter promovido a avaliação da política económica de Passos Coelho e Vítor Gaspar, apadrinhada pelo defunto António Borges, tendo permitido que nos momentos de falhanço a direita se escondesse atrás do memorando com a Troika. A política económica de Passos Coelho foi muito além do previsto no memorando, Portugal foi um banco de testes para experiências de política económica.
Essa ausência de avaliação permite a Marcelo Rebelo de Sousa branquear muito do que se passou, passando a mensagem falsa de que há uma complementaridade ou continuidade no domínio da política económica. Marcelo tenta passar a ideia de que a política económica e a medicina são coisas parecidas, isto é, a economia portuguesa está doente e não há grande diferença entre Gaspar, Maria Luís Albuquerque e Mário Centeno, como se fossem médicos que aplicam ao doente a receita adequada a cada fase do tratamento.
Marcelo está tentando enganar o país, como se essa mentira fosse benigna por ser em nome do bem da Nação, do crescimento e do emprego. Se a abordagem da política económica por parte de Marcelo é muito honesta, esta forma de ver a democracia, em que chama a si o papel de eliminar diferenças é muito duvidosa.

A democracia é feita de confrontos o que justifica que Marcelo sempre tenha assumido os confrontos políticos, desde António Guterres, um dos seus melhores amigos, a Passos Coelho, seu sucessor na liderança do PSD. Agora que é Presidente Marcelo tenta fazer passar a ideia de que a democracia é paz e amor de mistura com muitas selfies.
A democracia é confronto de ideias e de projetos e é por isso que Passos caiu e Costa adota políticas contrárias e antagónicas às do seu sucessor. Como é possível que alguém tente dar a entender que não há diferenças no mérito de políticas diferentes, quando um dos trabalhos deste governo foi corrigir as asneiras e abusos do governo anterior?
Se, como Marcelo parece defender, as políticas não devem ser avaliadas e não passam de políticas idênticas e sem qualquer conflitualidade, para que servem as eleições e o debate político? Mas, ao mesmo tempo que Marcelo defende que o debate deve ser feito em águas mornas, chama a si o papel de meter o primeiro-ministro e o líder da oposição na linha. Umas vezes dá uma porradinha num, outras dá a porradinha no outro. Umas vezes passa a ideia de que um é muito otimista, nas outras deixa que os jornais sugiram que Marcelo está a ajudar a derrubar o outro.
Aos poucos o debate político está entrando num pântano onde só Marcelo consegue andar. É preciso contrariar esta estratégia de Marcelo e começar por lançar o debate em torno das políticas económicas. Já há dados mais do que suficientes para que se avalie a política económica conduzida durante o governo de Passos Coelho.

(In Blog O Jumento, 23/05/2017)