domingo, 8 de janeiro de 2017

Até um dia destes Bochechas:

Mário Soares não morreu, a morte é uma condição dos mortais e mortais são aqueles que têm a sua vida condicionada à sua existência física. Só que há muito que Mário Soares era muito mais do que ele próprio. Morreu o Mário Soares Pai, o Mário Soares avô, o Mário Soares tio, o Mário Soares amigo e a todos os que tiveram o privilégio de serem seus amigos e familiares merecem o respeito pela morte de um bom familiar e amigo, bem como a gratidão por o terem partilhado com o país e o mundo.


Mas há muito que Mário Soares tinha conquistado a sua imortalidade enquanto homem grande, ao contrário de muitos dos seus inimigos que há muito que morreram em vida ou que quem já ninguém se recorda, Mário Soares está vivo. Mortos estão os que há pouco tempo pediam que fosse judicialmente perseguido, os que o difamaram ainda no antigo regime, os que se esqueceram muito facilmente do que lhe ficaram a dever.

Mário Soares está vivo na liberdade de que todos gozamos, está vivo em cada momento em que falamos em liberdade, em que dizemos o que pensamos sem medo, em cada momento em que um deputado fala, em que um primeiro-ministro toma posse, até quando os seus inimigos chegam aos mais altos cargos públicos.

Mário Soares viverá enquanto viver a democracia portuguesa e quando esta democracia for posta em causa, talvez por muitos que nos próximos dias irão chorar baba e ranho, Soares, como muitos outros democratas, estará vivo em cada português que tiver a coragem de defender a democracia, porque Mário Soares é uma das mais importantes referências de coragem e de democracia em Portugal.

Do blogue "o Jumento"

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Freamunde ficou contente:

O Freamundense José Carlos de Vasconcelos vence Prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural. Os Freamundenses, como eu, regozijam-se por ver um seu filho galardoado com distinto prémio. Esta pacata cidade, vila noutros tempos, produz talentos que deixa outras cidades ou vilas com um certo sabor a inveja.
Conheço bem José Carlos Vasconcelos, não convivi com ele talvez derivado ao desnível de idade, mas várias vezes me cruzei com ele, ainda como estudante e mais tarde quando vinha a Freamunde. Também me lembro por várias vezes ir ouvi-lo a recitar poemas de sua autoria na antiga Praça do Mercado, hoje Praça 1º. Maio, logo a seguir ao vinte e cinco de Abril.

Volta e meia vem a Freamunde e dado eu usar o itinerário que passa em frente à casa do Dr. Manuel, seu pai, falecido há vários anos me cruzava com ele.



Por tudo isto e não é pouco a minha estima é redobrada com a atribuição do Prémio Vasco Graça Moura outro ilustre poeta da nossa praça. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Primeira neve do ano na Rua de Abrute (Curva dos Três):

As fotos que exponho é da primeira neve que caiu - como intitulo o texto - na Rua de Abrute, mais conhecida como a “Curva dos Três”. Este lugar há vários anos era um lugar de fraco nome. Por ali praticamente só passavam automóveis, motorizadas, bicicletas a pedal e alguns peões, mas do sexo masculino, o sexo feminino evitava essa passagem.
Naquele lugar, quem vem de S. Domingos (eis Baiuca) para Freamunde, era lugar onde algumas mulheres iam vender o sexo nos montes ali circundantes.

Hoje está totalmente diferente e já não há inibição à passagem de qualquer peão seja do sexo masculino ou feminino. Aliás hoje é itinerário para muitos jovens e não jovens fazerem as suas caminhadas ou corridas a pé. O nome dado (Curva dos três) é que pode deixar os leitores perplexos com tal nome. Mas para tudo há uma explicação.
Faz hoje quarenta e cinco anos (28/12/1971) que ali se deu um grave acidente de viação que vitimou três jovens Freamundenses filhos de famílias bastante estimadas aqui no burgo. Não sei de quem era o automóvel em que se faziam transportar e quem o conduzia.
Nenhum deles tinha carta, ainda não tinham idade para adquirir a mesma, o que leva a crer que foi sem autorização que se apropriaram do automóvel. Parece-me que era do pai do Alex, senhor Correia (Brasileiro).
Nesta altura estava a cumprir o serviço militar em Balacende, Angola, e só fui sabedor desta tragédia uns dias mais tarde. Os quantos demorava a chegar as cartas àquelas paragens.
Nessas cartas foi-me relatado pela minha família essa tal tragédia e que esse fim de tarde, princípio de noite, pôs em alvoroço a pacata vila de Freamunde, nesse tempo, hoje cidade.
Disseram-me que era "montes" de gente a ir dar as condolências a casa dos familiares das vítimas, uma vez que naquele tempo não havia como hoje há a Casa Mortuária.
Conhecia os três jovens. Eram uns jovens que qualquer família não se importava de ter como filhos dado à educação que receberam e postura tida, nesses poucos anos de vida e, não falo, porque como é uso geral dizer-se aos que morrem que são boas pessoas. Não. Eram mesmo bons rapazes.
Assim, derivado à queda da primeira neve na “Curva dos Três) deu-me para lembrar esta triste efeméride ocorrida há quarenta e cinco anos.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

BOM ANO Sr.Dr., BOM ANO!

Antes de mais convêm, e desde já, clarificar duas coisas: A primeira é o tratamento e a segunda é o “BOM ANO”!
Quanto à primeira, tal como uma vez o Pacheco Pereira, cuja dúvida sua eu também manifestei quando há uns anos ao Seguro escrevi, ainda ele era aquele responsável chefe da oposição, eu também hesitei em como lhe chamar.
Por “Tu” está fora de questão; por Pedro, por Passos ou por Coelho também porque me obrigava a alongar muito o texto; por “Companheiro” também porque não o sou, a não ser desta terráquia vida; por “Camarada” muito menos, pois nem de armas fomos, de modo que resta o quê? Por chefe da oposição chama-o o Costa e Dr. chamo eu a quem conheço, portanto, dadas as suas qualificações e estatuto eu, muito portuguesmente, vou trata-lo por Sr. Dr. Está bem assim?
Quanto à segunda, ao “BOM ANO”, se reparar o título tem-no em duplicado. Perguntar-me-á: porque será? Simples Sr. Sr., simples: Não é um desejo a dobrar, pois isso seria excessivo. O primeiro é uma afirmação, assim como quem diz: Foi um bom ano, não foi? E, como a seguir, se tiver paciência para me ler vai descortinar, o segundo, pronto concedo, é um desejo, não só fruto da minha boa educação, mas também como na continuação deste que se acaba, um desejo para que continue assim. Assim, sendo o “Seguro” da Geringonça, percebe?
Que muito a si deve. Aliás, quase tudo a si deve. Surpreendido? Vamos começar pelo fim: Pelo Défice. Como seria possível este Governo alcançar o desiderato de não o deixar acima dos 3%, nem nos 2,7 prometidos e nem dos 2,5 acordados com Bruxelas, se não fosse a sua resiliência, mais a da sua musa Marilu, em sustentar a sua impossibilidade? Se não o tivesse feito nem o Governo teria aquelas ganas que teve em contradizê-lo, nem teria mesmo como ultrapassar a meta. O Sr. Dr. foi o seu estimulante, já reparou? Não foi nada aquela “esquerda radical”, foi o Sr. Dr.
Já reparou, repito? Lembra-se, lembra-se de certeza pois ela foi ensaiada, daquela rábula, pois só pode ser rábula, a daquela memorável entrevista do Gomes Ferreira à sua musa quando esta repetidamente atestou da sua impossibilidade, assim como, mal comparando, um ateu nega a existência de Deus? Mas que outra razão terá havido se não a desta maioria cismar em contradizê-lo, mais à sua musa? É para isso que serve uma oposição responsável Sr. Dr., é para isso…
Outro exemplo: Como poderia este Governo repor Feriados se o Sr. Dr. em boa hora não os tivesse cortado? Como poderia teimar em aumentar Pensões, uma côdea nós sabemos, se o Sr. Dr. não tivesse jurado que ia cortar 600 milhões? Tudo para o contradizer, tudo para o incentivar a cumprir a sua missão de oposição responsável. O que o Sr. Dr., na senda do Seguro, tem feiro na perfeição.
Eu sei que ao outro eu quis mandá-lo para Marte e ele ficou-se por Alcobaça, ou lá onde é, mas ao Sr. Dr. eu rezo para continue e continue com essa clarividência que tem demonstrado. E não se deixe enganar pela Cristas pois ela, andando atrás de si como numa roda, pode inverter a marcha e esbarrar-se consigo. Não deixe!
Eu até que poderia acrescentar aqui mais mil e um exemplos, mas, como o Sr. Dr. já bem compreendeu, e os leitores também, seria exaustivo e redundante para o meu raciocínio, de modo que vou terminar unicamente com o exemplo do Diabo!
Repare no exemplo da Igreja Católica: passou séculos a falar no Diabo, e das profundezas dos infernos, até que o Papa Francisco o abjurou. Como poderia o Papa Francisco tê-lo abjurado se com ele a Igreja não tivesse passado uma vida a ameaçar os crentes? De igual modo, como poderia ter o Costa afirmado que, afinal, o Diabo existe é o diabo, se o Sr. Dr., mais a sua musa Marilu, não tivessem andado tempos e mais tempos a clamar por ele?
Continue Sr. Dr., continue e obrigado por nos fazer ver as coisas…Neste caso, e por acaso, até o seu contrário...

À ESQUERDA DO ZERO



sábado, 24 de dezembro de 2016

Prenda de Natal:

Estamos com o Natal à porta. Embora este ano as finanças dos portugueses estejam melhores que nos últimos quatro anos há quem se restrinja nos gastos supérfluos. É o meu caso. Embora despenda um pouco mais que em relação aos últimos anos. As prendas que ofereço são do interesse do quotidiano.
Um casaco de malha para um neto, um kispo para o outro, um perfume para a esposa e outro para a filha, uns ténis para o filho e para mim a graça deles todos. Faz-me lembrar o Natal da minha meninice.

Esses tempos difíceis. Em que umas peúgas, nesse tempo era mais usual chamar-lhe meias. Também não percebo porque lhes chamavam meias se eram inteiras. Algumas vinham até meio das coxas. Isto claro nas senhoras. Se fosse nos homens eram apelidados de maricas.
Fosse como fosse eram tempos que hoje só interessa lembrar para os mais novos terem uma noção como era a vida na década de cinquenta ou sessenta. Numa coisa era diferente: a família. Que reunia e estava junta até altas horas da madrugada.
À luz do candeeiro jogava-se ao Rapa a pinhões. Depois os nossos pais lá nos mandavam para a cama para pôr no sapato as parcas prendas a que já estávamos habituados.
Era tal a miséria que nesse tempo era o Menino Jesus que vinha pôr os presentes. Depois não usava o mesmo critério. Fazia distinções. Havia quem dizia que era pelo facto de não nos portar bem.
Depois de ver outras crianças mais malcomportadas que eu e com prendas melhores que me levava a pensar em praticar asneiras como eles.
Ia à missa e à catequese e por vezes ao terço e os outros não queriam saber nada disso. Alguns até eram filhos de jeovás.
Na escola fazia por ser dos melhores alunos. Na Aritmética – nesse tempo ainda a Matemática era desconhecida – dava cartas. A História sabia de fio a pavio todas as dinastias. Desde D. Henrique a D. Manuel II. Mas tudo isto não contava para o Menino Jesus.
Seria ele a querer vingar-se ou a nos fazer ver que teve um nascimento pobre? Será por ter nascido numa gruta no meio de palha na presença de um burro e de uma vaca! Não creio que seja por isso.
De uma coisa tenho a certeza. Com a invenção do Pai Natal as prendas melhoraram. Seria pelo nível de vida dos portugueses ser melhor? De certeza que sim. Também o Natal passou a ser uma festa ao consumo.
Por uma coisa ou outra alegro-me de ver os meus netos todos contentes a desembrulhar as prendas. Já não se acreditam no Pai Natal. Não fazem as comparações que eu fazia. Sabem que as prendas são em consonância com a saúde da carteira dos seus pais e avós. Até nisto têm sorte. Os seus avós ao contrário dos meus têm possibilidade de lhes ofertar uma prenda a cada um.
Com dificuldades e pouca saúde lá lhes vamos dando. Oxalá que seja por muitos e bons anos.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Será que a tradição já não é o que era!

Vem este título a propósito de desde que me lembro quando chovia no dia da festa da Senhora da Conceição (dia 8 de Dezembro), no dia da feira/festa em honra de Santa Luzia (13 de Dezembro), ambas celebradas em Freamunde nestas datas, na festa/feira de S. Luzia estava sol e assim sucessivamente. Este ano no dia 8 de Dezembro esteve sol, ou dito de outra maneira, não choveu. Acontece que hoje dia 13 neste momento está um sol radioso.

Este ano tem sido um ano de fenómenos. Mesmo anunciando e desejando o “Diabo” o mesmo não dá sinal de vida. Primeiro era que a Geringonça não tinha pernas para a andar. Depois era que o Orçamento de Estado para 2016 não passava no Parlamento Português e nem em Bruxelas. A seguir era que no segundo semestre de 2016 a “Geringonça” ia pedir o auxilio aos “Pafiosos”. Aventaram as piores soluções para a Educação, Saúde, Segurança Social e demais ministérios. Também o Orçamento de Estado para 2017 não passava quer num Parlamento quer noutro. O que é certo é que o Diabo não dá sinais de vida. Até contam a seguinte história:

“Passos Coelho, Obama e o Papa viajavam juntos no mesmo avião, quando aparece numa das asas o Diabo com uma enorme serra e começa a serrar a asa da aeronave. Quando viram o Diabo ficaram apavorados, e o Passos Coelho vira-se para o Obama:
– Obama, você que sabe falar e argumentar como ninguém, convença o demónio a parar com isso senão vamos cair e morrer todos!!!
Obama foi até lá, conversou… conversou… e nada do demónio parar…
Obama voltou e implorou ao Papa:
– Papa, só o senhor nos poderá salvar… Ele não quer nem conversa… vai mesmo derrubar o avião !!!
O Papa foi até ao Diabo, usou de toda sua persuasão, argumentou o que pôde… e nada… Desistiu, voltou e resumiu a conversa:
– Não sei o que fazer… Estamos perdidos… Vamos rezar!!!
Foi quando o Passos Coelho se levantou e disse:
– Deixem comigo… Sou a última chance, vou tentar.
E lá foi ele falar com o Diabo. Mal trocaram duas palavras o Diabo parou de serrar a asa do avião… e desapareceu.
Obama e o Papa ficaram surpreendidos e perguntaram:
– O que é que você lhe disse?
– Eu apenas lhe disse: Companheiro… se eu morrer, vou formar governo no Inferno!”

Como se pode verificar Passos Coelho anda numa deriva. Nunca acreditou na faculdade de António Costa para negociador. A Marcelo Rebelo de Sousa intitulou-o de catavento. Marcelo Rebelo de Sousa não lhe dá importância. Passos Coelho tem os dinossauros do partido contra ele. Só o apoia os lambe botas. Por isso o referir-me que os tempos mudaram.

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa trouxeram outros ares a Portugal. Respira-se melhor. Os portugueses andam sorridentes. Para a mais importante organização mundial é um português o escolhido para a dirigir. Até fomos campeões da Europa em futebol. Bruxelas confia em Portugal. Até diz que o anterior governo deu cabo de Portugal.

Não estou surpreendido por este ano não chover nem no dia da Senhora da Conceição nem no dia de Santa Luzia. Este fenómeno deve dever-se à “Geringonça”. Que continuem assim que os portugueses agradecem.

Para mau tempo bastaram os quatros longos anos do governo dos “pafiosos”.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

DIZ QUE “AINDA” NÃO FALA…


Assim a modos que inocentemente, perante título tão enigmático, poderão perguntar-me e com toda a propriedade: Como pode dizer que “ainda” não fala, se “ainda” não fala?
Mas não é nada disso! É que o Silva falou dizendo que “ainda” vamos ter que esperar que ele fale! Disse ele: “Ainda vão ter que esperar algum tempo até que eu decida falar sobre a situação política nacional”!
Deu-se um autêntico terramoto nas redes sociais, um sobressalto até, assim como se uma múmia aparecesse a voar, pois se uma vaca pode porque não também uma múmia, digo eu, e só comentários eu vi noventa e três!
Mas, antes desses comentários eu aqui resumir, eu quero-vos dizer que lendo a frase de trás para a frente e da frente para trás, eu não descortinei nada de especial senão o “Ainda”! É que, para mim, é nesse indefinido, incerto e duvidoso advérbio de tempo que está a questão! É ele que me perturba, porque ele não quer dizer que “ainda” não está preparado, que não é o momento certo, não é um “tenham lá paciência” …Não, nada disso! Para ele, evidentemente, soa assim a uma ameaça, assim como quem diz: Têm pressa? Pois esperem! O que significa que, para ele novamente, as pessoas estão ansiosas por o ouvir, os jornalistas vão-se pôr em fila às portas do convento, eles mais a CMTV e as restantes TV,s. Quando falará, vai ser a pergunta que não se sabe que eternidade poderá durar…Eles esperam algo de revelador e bombástico, algo de novo e nunca visto…e vão esperar…
No entanto, como disse, as reacções nas redes sociais foram mais que muitas, eu há bocado já tinha contado noventa e três, mas são quase todas do mais decepcionante que pode haver: só mostram menosprezo e desconsideração. Algumas até com uma linguagem imprópria, assim como eu às vezes uso, mas só quando estou muito zangado! Pois vejam:
Uma série deles a dizerem  para não abrir a boca para o resto da vida, outros a dizerem que se estão não sei quê para as suas opiniões, que pode ficar calado para sempre (essa já disse), que calado era um poeta, outro diz que para ele também, corroborando o anterior só pode ser, outro ainda diz que se abre a boca sai asneira, um outro mais diz com um desplante mórbido que fale depois de morto, que tem rabos de palha, que calado, mais que um poeta, era um doutor, um outro propõe que a falar que fale depois do Natal para não nos estragar o mesmo, uma diz à anterior que vai pôr um cavaco na lareira, olhem se isso se diz, houve até um que colocou um anuncia da “Era” a dizer “Vende-se”, e eu achei piada como se alguém o comprasse e até o célebre “Porque non te callas”, mas este acrescentou para sempre, como se ele já tivesse falado!
Um outro ainda mandou-o emigrar, outro falar com as cagarras e este, o único que li com bom senso, que disse que há pessoas que deviam era perceber quando estão a mais e quando já ninguém se interessa pela sua opinião e, continuando com bom senso, aconselhou-o também a estar calado para não dizer asneiradas…
Eu só estou a transcrever o que li, atente-se, e acabo com uma frase da qual deveras gostei : Se lhe disserem que o silêncio é de oiro, ele vai pensar duas vezes antes de quebrar o silêncio…! Mas o primeiro dizia tão só: Dispenso…
Pois eu não, eu quero ouvi-lo! Melhor, não me importo de o ouvir. Melhor ainda, se quiser falar que fale mas que fale quando quiser, ora!
E isto porque constato que muitos não percebem nem nunca perceberam o cujo. De modo que eu pergunto: Afinal, para que fez ele aqueles roteiros todos e deixou aquela enormidade toda de “avisos”? Sim, para quê? É que ele não fez como o Passos Coelho que desatou à caça do diabo durante meses e não o encontrou. O Silva, não. O Silva passou a vida avisando que ele irá aparecer e só está à espera do momento em que ele apareça mesmo. E aí ele vai ganhar fôlego e dizer: Eu não avisei? Mas isso pode demorar meses, anos, séculos, quiçá eternidades, mas ele lá estará vigilante e, mesmo com a múmia já putrefacta, dela se elevará para dizer, nem que seja pela última vez: Eu não avisei? E todos diremos: Ámen…
Mas “ele” há gente para tudo e depois de ter lido esta notícia no Observador, ao contrário de mim que só a observei no Facebook, para que se conste, um amigo meu veio-me com uma teoria, que eu até achei perspicaz e por isso a bebi, que é a de que ele está à espera de um carro novo, de um topo de gama!
Eu só achei perspicaz depois porque antes perguntei-lhe. E? E o quê, diz ele, não te surge nada, assim uma cidade, uma cidade com praia, com um casino até…A Póvoa, perguntei eu? Qual Póvoa, pá, a Figueira, a Figueira da Foz! Ah, abri eu a boca de espanto perante tanta sagacidade! Ele quer candidatar-se à chefia do coiso? Será? E porque não, diz o meu amigo? É que aquilo parece um deserto, não se vê ninguém, não aparecem candidatos, nem sequer a Lisboa e Porto, todos têm medo, todos se temem, ninguém avança…E ele, quando chegar a viatura, vai ter que a rodar…Percebes, desafiou-me ele?
Diz que foi a Maria que exigiu, pois já nem à rua sai por falta de alfaiate…Percebes?
Fiquei sem fala…
(Joaquim Vassalo Abreu, 08/12/2016)