sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A direita, os escândalos e a memória

(Por Carlos Esperança, in Facebook, 14/12/2017)
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A direita portuguesa, órfã de pessoas pouco recomendáveis e sem memória de governos que a desviaram da matriz fundadora, dos programas e do sentido de Estado, prisioneira do ressentimento, e sem rumo, procura nos escândalos o caminho do regresso ao poder.
Confortavelmente instalada no aparelho de Estado, nos órgãos de comunicação social e no poder económico, não tem programa, ideias ou projetos, vive dos cadáveres dos incêndios, das insinuações e dos julgamentos da comunicação social.
Esquece que votou contra o SNS e a despenalização da IVG, e que apoiou a invasão do Iraque. Esquece que Cavaco, Durão Barroso e Portas eram dos seus, que o governador do BP nomeou, por convite, um filho de Durão Barroso para um alto cargo que exigia concurso, que a última ministra das Finanças levou diretamente para um fundo abutre de Londres os conhecimentos do ministério, enquanto mantém o lugar de deputada.
Nunca se preocupou com a falta dos documentos dos submarinos cujos subornos foram provados na Alemanha, e improváveis em Portugal; com a prescrição dos desvios dos fundos europeus para a Tecnoforma, cuja devolução é reclamada, e que envolvem os nomes de Passos Coelho e Miguel Relvas; com a afirmação da PGR, que admitia reabrir esse processo, sem que haja conhecimento de o ter feito; com as falências fraudulentas dos bancos onde pereceram as estrelas da constelação cavaquista; com o condomínio da praia da Coelha; com a humilhação da demissão de Durão Barroso da Universidade de Genebra e do Instituto de Estudos Internacionais, onde dava aulas, e das restrições à sua entrada na Comissão Europeia, pelas promíscuas relações com o banco Goldman Sachs; com os vistos Gold; com o silêncio sobre investigações de corrupção a câmaras do PSD, da região do Porto, denunciadas em 20 páginas da Visão, e de que se ignora qualquer averiguação do Ministério Público.
Esta direita esqueceu a primeira candidatura vitoriosa de Cavaco Silva a PR, nascida na vivenda de Ricardo Salgado, o caso Moderna, a empresa de sondagens Amostra e os problemas com a Segurança Social e as Finanças, de Paulo Portas e Passos Coelho.
As acusações permanentes aos adversários escondem as nódoas próprias.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Semanada:

(In Blog O Jumento, 10/12/2017)
zeca
Portugal parece ter um Presidente da República que analisa os anos como se pertencesse à Confraria do Vinho do Porto e estivesse a avaliar a qualidade do vinho, para decidir se o vinho da colheita é ou não um vintage. Agora parece que há anos bons para o país tomar decisões e anos maus porque nesses ou é impossível tomar decisões ou essas serão más, porque são anos eleitorais.
Primeiro veio dar palpites sobre o OE para 2019, dando a entender que há orçamentos eleitoralistas, agora foi junto dos autarcas teorizar sobe as qualidades de 2018, por não ser ano eleitoral. Não seria má ideia se o Presidente da República evidenciasse mais confiança na democracia e nas virtudes das eleições, a não ser que considere que as eleições devam ser tratadas como meras passagens de modelos, que nada têm para dizer.
A direita portuguesa está viciada no jogo, só que as apostas não são em corridas de cavalos, na raspadinha ou no jogo do bicho, o que está a dar são os palpites sobre o fim da geringonça. Desde que Passos decidiu esperar um ano para que o governo caísse que toda a direita condiciona a sua agenda política no pressuposto de que António Costa vai cair. Agora foi a vez de Santana Lopes animar as suas hostes, e para o fazer nada melhor do que se armar em Santinha da Ladeira e prometer um milagre, a Geringonça vai cair.
Marcelo Rebelo de Sousa fez a sua melhor aquisição para a casa Civil, foi buscar o Zeca Mendonça, o homem que durante décadas serviu os líderes do PSD e ficou conhecido pela tendência para pontapear jornalistas. Marcelo tem dado tanta importância ao futebol, uma das suas mais generosas fontes de likes, a seguir aos incêndios e ao jantar dos sem-abrigo, que para tratar com a comunicação social foi buscar alguém com jeito para dar chutos.
Catarina Martins decidiu chamar s si todo o protagonismo político, quase apagando um Jerónimo de Sousa; os seus ataques ao governo e a linguagem que usa é bem mais violenta do que os artigozinhos da Assunção Cristas que tanto irritam António Costa. Mas os ataques de Catarina ao governo também fazem lembrar o estilo de governação do PSD, normalmente este partido desempenha o papel de governo e de líder da oposição. A verdade é que as críticas do BE ao governo apagaram a direita.
Se Centeno pertencesse a um governo de direita a esta hora já teriam descoberto as suas origens rurais, com um avô num dos concelhos mais isolados do país. O meio agreste e a rudeza da vida do campo seriam um sinal das qualidades superiores de um ministro das Finanças que se quer rigoroso, com qualidades da aldeia, a lembrar Salazar.
Mas como Centeno é da esquerda já foi esquecido, uma semana depois já não se fala da sua escolha para presidir ao Eurogrupo, Marcelo, por exemplo, prefere falar de receios de que o OE de 2019 seja eleitoralista ou de que o ministro não se possa dedicar ao país.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Prendas de Natal:

Um casaco de malha para um neto, um kispo para o outro, um perfume para a esposa e outro para a filha, uns ténis para o filho e para mim a graça deles todos. Nada é comprável ao Natal da minha meninice. Vou falar nele.
Eram tempos difíceis. Em que umas peúgas, nesse tempo era mais usual chamar-lhe meias. Também não percebo porque lhes chamavam meias se eram inteiras. Algumas vinham até meio das coxas. Isto claro nas senhoras. Se fosse nos homens eram apelidados de maricas.
Fosse como fosse eram tempos que hoje só interessa lembrar para os mais novos terem uma noção como era a vida na década de cinquenta ou sessenta. Numa coisa era diferente: a família. Que reunia e estava junta até altas horas da madrugada.
À luz do candeeiro jogava-se ao Rapa a pinhões. Depois os nossos pais lá nos mandavam para a cama para pôr no sapato as parcas prendas a que já estávamos habituados.
Era tal a miséria que nesse tempo era o Menino Jesus que vinha pôr os presentes. Depois não usava o mesmo critério. Fazia distinções. Havia quem dizia que era pelo facto de não nos portar bem.
Depois de ver outras crianças mais mal comportadas que eu e com prendas melhores que me levava a pensar em praticar asneiras como eles.
Ia à missa e à catequese e por vezes ao terço e os outros não queriam saber nada disso. Alguns até eram filhos de jeovás.
Na escola fazia por ser dos melhores alunos. Na Aritmética – nesse tempo ainda a Matemática era desconhecida – dava cartas. A História sabia de fio a pavio todas as dinastias. Desde D. Henrique a D. Manuel II. Mas tudo isto não contava para o Menino Jesus. Fazia todos os recados que os meus pais mandavam. Até embalava o berço dos meus irmãos.
Seria ele a querer vingar-se ou a nos fazer ver que teve um nascimento pobre? Será por ter nascido numa gruta no meio de palha na presença de um burro e de uma vaca! Não creio que seja por isso.
De uma coisa tenho a certeza. Com a invenção do Pai Natal as prendas melhoraram. Seria pelo nível de vida dos portugueses ser melhor? De certeza que sim. Também o Natal passou a ser uma festa ao consumo.
Mas mesmo assim ainda me mete confusão – criou um trauma em mim – ver ainda hoje crianças a serem contempladas com prendas caras e outras não terem nada. E ainda mais por ver “pais natais” estes à frente do Concelho todos sorridentes a entregar as prendas aos filhos dos seus funcionários.
Alegria para uns tristeza para outros. A abundância sujeita a ter uma congestão a miséria a ficar esquelética.
Depois as crianças deste concelho ao ver isto devem pensar o que eu pensava quando tinha a idade deles: “Depois de ver outras crianças mais mal comportadas que eu e com prendas melhores que me levava a pensar em praticar asneiras como eles”. Não seria mais correcto os tais “pais natais” absterem-se de tais procedimentos! Ver que no concelho ainda há miséria! Muita escondida.
Por isso nada me admira e até concordo que as muitas crianças deste concelho um dia sintam repulsa por esta democracia.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Procissão de Nossa Senhora da Conceição em Freamunde:

Como escrevi num texto anterior e intitulei “Contra ventos e marés” aqui está a prova provada em como em Freamunde somos peculiares.
Derivado ao tempo chuvoso (chuva miudinha, de molha tolos, como é usual dizer-se) a procissão mesmo assim saiu para fazer o percurso habitual.
Com guarda-chuva ou sem ele as personagens, incluindo os anjinhos, não se opuseram e assim puderam mostrar como em Freamunde a Fé está acima de tudo.
A Banda Musical não pôde encorpar a procissão, derivado ao estrago que a chuva podia proporcionar aos instrumentos, mas mesmo assim permaneceu no palanque a tocar uma Marcha Festiva.
Como disse somos diferentes e nada nos demove para mostrarmos o que de bom produzimos nesta terra.
Somos assim e continuaremos a ser: um povo peculiar.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Contra ventos e marés:

Celebra-se hoje a festa de Nossa Senhora da Conceição. Mais uma santa que é venerada e que não tem nome de Igreja ou Capela com o seu nome. Aliás das duas capelas e uma igreja matriz existentes em Freamunde – por enquanto – só S. António é que é celebrada a festa e com capela. Azar dos Távoras.
Então quando os Freamundenses resolveram agraciar os santos: S. António, Mártir S. Sebastião, Senhor e Senhora, Senhora da Conceição e Santa Luzia, esse agraciar para ser completo, era com capelas ou igreja com o seu nome. Só pode ter sido esquecimento.
Por que aqui em Freamunde quando resolvemos algo esse algo não demora muito a ser concretizado. Para exemplo é ver a Nova Igreja que está a ser construída em honra do Divino Salvador. Outro esquecimento dos Freamundenses.
Então se o Divino Salvador é o Padroeiro de Freamunde como nunca lhe ter oferecido uma capela ou igreja com o seu nome! É de lamentar.
Mas com capelas ou igrejas e sem nome dos santos em que se venera o seu dia ou festa estamos sempre de coração aberto para os lembrar.
Parece que se vai cumprir a profecia. Conceição de chuva Luzia de sol.
Somos assim e assim vamos continuar: Contra ventos e marés.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A CHAPADA SEM MÃO:


Aquilo que é a mentira 1 de abril pode ser a verdade do 4 de dezembro...

A citação não é do zipadinho, mas foi inspirada no seu brilhantismo televisivo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

ADEUS ZÉ PEDRO!

(Joaquim Vassalo Abreu, 30/09/2017)
xutos
Poucas pessoas haverá na vida que nunca tendo entrado em nossa casa nos parece que dela nunca saíram! O ZÈ PEDRO era uma delas.
Daquelas pessoas de quem durante a vida apenas nos aproximamos, mas que temos por Amigo verdadeiro e indefectível. O ZÉ PEDRO é uma delas.
Uma pessoa que sendo Amiga de nossos Amigos é por inerência nossa Amiga. Daquelas que imediatamente tratamos por Tu, mesmo que nem apresentados sejamos.
Das que estando numa roda de Amigos em que pretendamos entrar nos convida logo para a mesma.
Uma pessoa de quem esquecemos todas as fraquezas por troca de um sorriso. De um sorriso único, de um sorriso tão convidativo que forçosamente nos contagia. De quem os nossos pequenos imediatamente gostam e para cujo colo logo vão.
A quem perdoávamos todas as imperfeições por troca de um Amor imenso e dedicado à Música e a todo o Rock and Roll. Que conhecia como ninguém.
A quem tudo perdoamos e tudo trocamos pela sua presença. Pela sua afabilidade e pela sua simpatia.
De quem nos aproximamos e por quem sofremos nas suas horas más, impelidos pela sua força de viver e pelo seu incandescente optimismo.
De quem nos fazemos de imediato participantes activos das suas causas, mesmo nelas só por simpatia participemos. Com quem estamos sempre, mesmo não estando.
Daquelas que sendo feitas de defeitos, na sua grandeza, transformamos em virtudes, pela maneira com que encaram a vida e nos ensinam dessa mesma grandeza.
Das que tendo visibilidade e palco, fãs de toda a ordem e seguidores sem fim, se portam na vida como qualquer pessoa decente se deve portar: Dando-se e dando-se sempre, como se qualquer gesto ou palavra fosse a redenção. E o elo fraterno que a todos une: o da cumplicidade.
O ZÉ PEDRO não era um virtuoso nem precisou nunca de o ser. Tinha o carisma dos grandes, daqueles que se dão à música como a maior invenção do Homem. Ou de Deus, tanto faz.
Mas não só na morte, porque na vida também assim todos fomos: seus enormes admiradores! Admiradores de quem nunca vimos ou ouvimos um lamento. Apenas um sorriso, sempre!
O Dr. Eduardo Barroso, que lhe fez o transplante do fígado, afirmou nunca ter tido um paciente assim. Um doente consciente dos danos que a vida lhe trouxe mas, ao mesmo tempo, confiante na própria vida e em quem lha poderia trazer de volta. Sem penas ou remorsos pelo que ela foi, mas com espírito sempre aberto à mudança e aos cuidados que a mesma lhe impunha. E sempre para a mesma disponível, até ao último segundo.
O ZÉ PEDRO foi e é, para além de um ícone transversal e único, um ser de uma simplicidade e humanidade desarmantes. Um ser que desconhecia a palavra ódio e só a Amizade trabalhava. Um ser incapaz de, por intrínseca educação, alguém menorizar.
Era uma pessoa progressista e virada sempre para o futuro. Sempre a matutar “cenas” de colaborações várias e sempre disposto à desinteressada ajuda. Participante de causas e agregador das mesmas. A sua simpatia a ninguém era indiferente. Ele unia!
Deixa um grande legado, para além da verdadeira Instituição que formou, os Xutos e Pontapés, banda sua, minha e de todos : o legado da BONDADE!
Adeus ZÉ PEDRO. Nós prometemos que não te vamos chorar. Prometemos que te vamos para sempre LEMBRAR!
Até sempre!