domingo, 21 de janeiro de 2018

Às vezes o pensamento leva-me a recordar


… Tempos de criança. Tempos que a minha imaginação me transporta aos cinquenta anos e pico do século passado. 

Garoto como era, de oito a dez anos, me dirigia para o Centro da Vila – àquela época – para as brincadeiras da garotada. No campo da Feira ou no Largo de S. António ali nos entretínhamos durante as tardes. Isto no período das férias escolares.
O Centro da Vila já naquele tempo necessitava de embelezamento. Não é que não houvesse ideias. Faltava tal como hoje vontade dos órgãos camarários. Freamunde sofreu sempre da síndroma de esquecimento. 
Quem da minha idade ou mais novo poucos anos se lembra de na exposição de móveis de António Pereira da Costa (Fábrica do Calvário) sito no Largo de S. António – hoje loja de ferragens – de umas “plantas” ali expostas de como António Pereira da Costa via e ambicionava o dito Centro de Freamunde. Só que não passou de um sonho. Via e admirava essas “plantas”. Davam um ser a Freamunde digno de si e da sua gente 
O tempo e os anos foram passando e o Centro de Freamunde continuava na mesma. Só sobressaíam as ideias. Diziam que não havia dinheiro para comer que fará para embelezamentos! Mais tarde, muito mais tarde, houve dinheiro mas pelo que parece faltaram ideias. E a prova disso é que se fez o dito arranjo do Centro de Freamunde e passados uns anos (cerca de vinte) a Câmara Municipal de Paços de Ferreira mandou destruir tudo. Motivo! Fazer um novo Centro.
Só que passado pouco tempo disseram que não havia dinheiro derivado à crise que assolou o País. Agora (hoje) dizem que há dinheiro e “plantas” mas as obras não atam e nem desatam. O que me leva a fazer um apelo à Junta de Freguesia de Freamunde e Câmara Municipal de Paços de Ferreira que exponham as ditas “plantas” num sítio a designar e de fácil acesso para os Freamundenses poderem visualizar e admirar. 
Pode ser que passados uns anos esse sítio passe a loja de ferragens e as “plantas” se detiorem e o sonho dos Freamundenses volte a ser uma recordação.
Passados uns anos pode aparecer um nostálgico como eu a trazer essa recordação à baila. "Às vezes o pensamento leva-me a recordar…"

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Assim me tornei homem:

Ao ver esta fotografia num texto do facebook levou-me a copiá-la para a reproduzir neste texto que escrevo a dar conhecimento à maioria dos jovens de hoje. 

Não havia dia – pela tardinha – que não fosse presenteado com uma sova com a escova de escovar roupa. A maioria das vezes merecida. Outras –, até devia de ter uma atenuante – mas derivado aos problemas do dia-a-dia a minha mãe não tinha com quem desabafar e o meu rabo servia para esse efeito.

Ao escrever isto não quero menosprezar o efeito. Não! A minha mãe era dotada de uma boa saúde física e psíquica. Era como disse. A vida difícil. O livro de fiados que estava a chegar o seu termo de pagamento e trazer nova mercadoria para dar para os próximos quinze dias. Os operários da Fábrica Grande (Albino de Matos) recebiam a sua féria de quinze em quinze dias. Por falar em féria. Há muito que não ouço este termo. 

Por isso, quero dizer, que de uma simples fotografia arranja-se motivo para escrever um texto. E quando é para falar dos meus progenitores (minha mãe) tenho prazer em o fazer. 

Quem me dera que hoje me pudesse fazer o mesmo. Não o faz porque há muito deixou de fazer parte dos vivos.

Mas que tenho saudades dela e da escova de escovar roupa, lá isso tenho.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O ricochete de uma lei que voltará em breve a Belém:

Nas últimas semanas a revisão da lei sobre o financiamento dos partidos serviu para uma lamentável campanha populista, que teve em Cristas e nalguns media, o seu veículo de bombardeamento demagógico. Sobre ela disseram-se mentiras e fizeram-se processos de intenção, que visaram desprestigiar os políticos em geral pretendendo-se, sobretudo, prejudicar os partidos mais à esquerda, sobretudo o PCP impedido de recolher receita com a Festa do Avante e o PS cuja situação financeira é, há uns anos, problemática e depende muito da forma como é resolvida a questão do IVA. Porque, para quem tanto se escandalizou com a suposta devolução desse imposto aos partidos, que desenvolvem atividade política, não existem os mesmos pruridos com a Igreja Católica que, apesar da laicidade do Estado, continua a usufruir de privilégios incompreensíveis a nível fiscal.
Poucos alertaram, igualmente, para a tremenda lata de Cristas, apresentando-se como escandalizada virgem isenta de pecado mas cujo partido vive quase exclusivamente do financiamento dos contribuintes e ocupa uma sede pela qual nem paga renda ao Patriarcado, nem este gasta o que quer que seja com o IMI de tão relevante espaço.

E Marcelo que, por uma vez, tinha a possibilidade de ser bem mais do que Marcelo, exercendo uma pedagogia capaz de devolver a questão ao que a ela diz respeito, acabou por reconhecer nada haver de inconstitucional na lei, mas decidiu-se a vetá-la por considerar-se assim consonante com a escandalizada indignação dos demagogos.
Fico por isso muito satisfeito por ver o Partido Socialista submeter novamente o diploma à Assembleia não lhe alterando sequer uma vírgula. Nesse sentido porta-se com bastante mais inteligência do que o Bloco de Esquerda, uma vez mais na lógica de uma imaturidade política, que parece custar-lhe a superar. Porque tratando-se de uma legislação que, já na altura em que fora revista anteriormente, não disfarçava a intenção de prejudicar o PCP, não merece que seja tida como contestável por outras forças políticas, que não as das direitas, as principais interessadas em mantê-la tal qual está.
Será interessante constatar a a reação do PSD, agora liderado por Rui Rio, perante um diploma, que os seus próprios deputados votaram favoravelmente no mês passado. Mantém a coerência do seu juízo ou rendem-se á demagogia de Cristas e da imprensa tabloide (que é quase toda a que se publica entre nós)? E sentirá Marcelo vontade de confrontar novamente a maioria parlamentar e a própria vontade do Tribunal Constitucional, que emitiu a sua própria reação positiva sobre o seu conteúdo? Ou reconhece que tomar partido pela minoria parlamentar também implica violar o seu dever de respeito pela regra da separação de poderes, em que se conjugam dois deles - o Legislativo e o Judicial - para ver a lei alterada de acordo com o que ficou decidido em tal votação?

Publicada por jorge rocha 


Do blogue (Ventos Semeados)


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O início do arejamento da Justiça em Portugal?

Que a Terra se continua a mover, prova-o a confirmação de que Joana Marques Vidal já tem prometidos os patins, que a levarão para fora do cargo em que se mostrou tão particularmente tendenciosa, favorecendo todos os processos que pudessem comprometer socialistas e arquivando, ou protelando tanto quanto possível, os envolvendo os políticos de direita.
Bastará isso para arejar um pouco que seja o cheiro desagradável, que há muito se associa ao exercício da Justiça em Portugal? Seria sonhar demasiado alto, porque são muito os indicadores em como, extirpada a cabeça de um polvo, ali permanecerão demasiados tentáculos a condicionar-lhe a almejada despoluição.
O exemplo do que se passa com o caso do ex-ministro angolano Manuel Vicente é, a esse respeito, eloquente. Mesmo confirmando-se que ele terá corrompido um procurador para que um processo tivesse outro andamento, que não o previsível, será esse um motivo plausível para pôr em causa o relacionamento económico entre Portugal e Angola? É que o presidente João Lourenço só pretende que a parte do processo, que vincula o político angolano seja transferido para Luanda. Por isso mesmo justifica-se que, o que incumbe aos portugueses - julgando e eventualmente condenando esse procurador ocorra cá - mas que se delegue nos angolanos o que queiram decidir sobre o seu compatriota: se ele é corrupto, que o castiguem ou o ilibam, conforme pretendam ou não construir um país mais decente do que o herdado do pesado legado de Zédu.

O argumento da separação de poderes entre o poder judicial e o executivo é uma realidade da nossa Constituição, mas não pode ser vista como um critério absoluto. A Justiça não se pode alhear das consequências colaterais das suas decisões. Daí que tenha de equacionar o custo se se der ao argumento de meter pálas à frente dos olhos para não ver os prejuízos, que possa causar a milhares de portugueses, que vivem e trabalham em Angola ou às muitas empresas, que ali negoceiam parte substantiva da sua produção. A menos que os senhores procuradores e os senhores juízes tenham a intenção não confessada de dificultarem ao máximo a vida deste governo a quem não bastarão os reconhecidos dotes diplomáticos de Augusto Santos Silva para serenar a indignação ao atual poder político em Luanda.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Do que me havia de lembrar:

Fui dar um passeio até à Póvoa de Lanhoso usei o itinerário de Guimarães, S. Torcato e ao passar nesta localidade deparei com o majestoso Santuário de S. Torcato na referida freguesia, de que tanto se fala por diversos motivos. Sendo o mais usual as obras de "Santa Engrácia" como vulgarmente, se ouve falar.
É que quando uma obra ultrapassa o seu tempo de duração, ou seja, nunca mais termina, alcunhamo-la como obra de Santa Engrácia.

Como ia referindo ao abeirar-me do dito Santuário deparei com uns retoques ainda ali existentes. O que levou-me a matutar: porque não dizer também "como as obras de S. Torcato". Não vinha mal ao mundo se usássemos essa expressão. Afinal o povo português é rico em adjectivos.

Depois desse pensamento voltei a matutar. Ando eu para aqui a fazer críticas ao que é dos outros quando na minha terra tenho exemplos iguais!
Diz o leitor quais! Vou apenas referir um para não alongar muito a minha escrita.
Há quanto tempo está o futuro Quartel da GNR para ser inaugurado? Há um bom par de anos! Será que esta obra vai ter fim? Pelo andar da carruagem dizem que não.
Há outros que dizem que que houve foi uma má solução. Que naquele edifício (antigas Escolas de S. Cruz) não pode ser porque está paredes meias com a Sede da Associação Musical de Freamunde e segundo a lei não pode funcionar assim. Agora pergunto eu! Tantos anos e tanto dinheiro gasto para nada!
Onde está instalado o Quartel da GNR era o edifício da Junta de Freguesia de Freamunde. Todos temos noção que onde funciona a Junta não há condições para receber quem ali se dirige. Há columbófilos que as suas pombas têm melhores condições que os funcionários que ali laboram e quem ali se desloca.
A partir de hoje sempre que passe por S. Torcato não vou reparar nas obras inacabadas (Santa Engrácia) porque a temos na nossa terra.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Os amigos que definem um carácter (ou a falta dele):

Um sábio provérbio popular afiança que “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”.
Convenhamos que para Marcelo Rebelo de Sousa o que daí se ajuíza não é particularmente confortável: depois de ver um dos seus melhores amigos, Ricardo Salgado, metido nos apuros que sabemos, é a vez do seu dileto padre, responsável pelas paróquias de Oeiras e de Cascais, ver-se procurado pela Judiciária, depois de terem desaparecido valiosas peças de arte sacra. António Teixeira, assim se chama o religioso em causa até tivera o privilégio de contar com Marcelo a prefaciar-lhe o livro, que lançara meses atrás.

Perante o que da sua personalidade diariamente aquilatamos não espanta que Marcelo não tenha arriscado enviar a revisão da lei de financiamento dos partidos para o Tribunal Constitucional, pois sabia quão facilmente ali seria validada. Assim, e utilizando um tipo de expediente que não fica bem a quem deveria ter a irrepreensível ética de quem é chamado às suas altas funções, limitou-se a vetar o diploma, reenviando-o para  a Assembleia da República, e agindo em conformidade com a onda de demagogia que os jornais e as televisões se encarregaram de difundir nos últimos dias.

Porque sabe que os principais prejudicados com a escusa a essa aprovação são o PCP (que continuará a ter dificuldades em contabilizar todos os donativos auferidos por exemplo com a Festa do Avante) e o Partido Socialista (que não possui os financiadores, com que PSD e CDS contam como paga do trabalho para que estão mandatados pelo patronato e pela Igreja), Marcelo torna-se cúmplice da tentativa de manter a capacidade financeira dos partidos à esquerda limitada, ciente de ela não existir à direita.

A estratégia de Marcelo é óbvia: já que não consegue derrotar a maioria parlamentar nas sondagens e no sucesso dos indicadores económicos, intervêm onde lhe é possível: dificultando-lhes o mais possível o acesso a recursos para executarem a sua atividade política.

Sabe, também, que um dos seus ódiozinhos de estimação - Mário Centeno - está cada vez mais liberto da teia, que chegara a lançar-lhe, quando o chamara a Belém e tivera o «prestável» Lobo Xavier a mostrar-lhe sms, que nunca deveriam ter saído do alcance de quem os tinha recebido ou enviado. Nesse sentido, para além de, como presidente do Eurogrupo, Centeno olhar para Marcelo de cima para baixo, pode começar bem o ano com a acrescida almofada financeira de 350 milhões de euros não utilizados como receitas extraordinárias no exercício orçamental de 2017. Se as perspetivas para 2018 são boas, ainda prometem revelar-se melhores. Como dizia o blogue O Jumento em dia recente: “É bom que o aparelho digestivo do Presidente esteja a funcionar bem porque a dieta que vai ter de suportar em 2018 não é das de mais fácil digestão.”

Do Blogue (Ventos Semeados)


Publicada por jorge rocha à(s) 18:30

Sobre os CTT de Freamunde:


Como tenho sido um fervoroso adepto a apelar para a união dos Freamundenses na defesa dos CTT de Freamunde cumpre-me informar os Freamundenses que a partir de hoje não são precisos mais apelos porque acabo de saber que a situação sobre o encerramento já não acontece. Fazendo fé no comentário/aviso de Humberto Brito que à partida não me merece dúvidas.
“Humberto Brito
6 h •

Hoje, após uma reunião com os CTT (Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Freamunde), posso garantir que os serviços dos correios (CTT) não serão encerrados na Cidade de Freamunde, mantendo-se a loja em funcionamento. Aliás, serão acrescentados novos serviços públicos para Freamunde.
Ponto final. Para que acabe o ruído!”
Não fico agradecido à Câmara Municipal e nem a Humberto Brito pelo facto de ser essa a missão deles: construir e não destruir, unir e não desunir.
É verdade que este assunto criou celeuma em Freamunde pelo facto de sermos useiros e vezeiros neste tipo de situações: ficamos sempre a perder. E, prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
Por isso a partir de hoje os Freamundenses podem dormir tranquilos por que o assunto está resolvido e garantido.
Por mim também acaba esta “cisma”.

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